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Dengue: quais os sintomas e como fazer o diagnóstico?




O Ministério da Saúde sugere o diagnóstico clínico de dengue na presença de febre (frequentemente, superior a 39 graus) e dois dos seguintes sintomas: cefaleia (dor de cabeça), prostração, dor retro-orbitária (atrás do olho), exantema (manchas na pele), mialgias e artralgias (dores musculares e articulares, respectivamente)¹. Esses são, provavelmente, os sintomas mais comuns. Diarreia e sintomas respiratórios como tosse, coriza e dor de garganta também podem ocorrer, embora não sejam tão proeminentes.

Conforme sugere o Ministério da Saúde, um diagnóstico laboratorial não é necessário para a maior parte das pessoas. Este deve ser feito, entretanto, em pessoas com sinais de alarme, dengue grave e/ou condições clínicas como diabetes, insuficiência renal ou extremos de idade.


Quanto tempo duram os sintomas?

Geralmente, sete dias. Podemos dividir a dengue em três fases: febril, crítica e convalescente. A fase febril corresponde à replicação do vírus no organismo e é identificada pela presença de febre e dos demais sintomas. A fase crítica ocorre de três a sete dias após o início dos sintomas. Curiosamente, é nela que o vazamento de plasma e os sangramentos ocorrem, como descrito aqui. Ela dura de um a dois dias. A fase convalescente ocorre em seguida e corresponde à fase de recuperação.


Como é feito o diagnóstico laboratorial da dengue?

O carro-chefe do diagnóstico da dengue é formado por dois exames: o antígeno NS1 e os anticorpos para dengue. Ambos são exames de sangue.

O NS1 é uma proteína expressa na superfície das células infectadas pelo vírus da dengue e que circula no sangue durante a infecção. Solicitamos esse exame nos primeiros sete dias de sintomas. Falsos negativos podem ocorrer em 10-30% dos casos e são mais comuns em quem já teve a doença.


O teste de anticorpos é entregue com resultado “reagente” ou “não reagente” para anticorpos IgM e IgG. Os anticorpos IgM podem ser detectados a partir do quarto dia de sintomas; os anticorpos IgG, a partir do sétimo dia. O resultado "reagente" é interpretado como positivo. A chance de um resultado positivo é maior quanto maior a duração dos sintomas. Esse exame é ótimo para fazer diagnóstico retrospectivo, como quando o resultado foi “não reagente” nos primeiros dias da infecção e teve resultado “reagente” 10 dias após.


Alguns laboratórios possuem protocolos próprios para o exame e recomendam colher cada exame apenas com durações específicas dos sintomas.


O hemograma ajuda no diagnóstico?

Tenho visto vários colegas pedirem o hemograma na fase febril da doença e utilizarem a contagem de plaquetas baixa para fazer o diagnóstico. Isso não é uma prática padrão. Várias infecções virais podem causar diminuição de plaquetas, o que faz com que esse achado seja inespecífico. A utilidade do hemograma está detalhada aqui.


É adequado fazer o diagnóstico sem confirmar com exame laboratorial?

Sim. O Ministério da Saúde não recomenda exame específico para dengue em todos os pacientes. No Brasil, é uma doença comum e alguns casos podem ser particularmente sugestivos da infecção. No serviço público (SUS), é comum que os exames para diagnóstico da dengue não estejam acessíveis. Existem serviços e especialistas que recomendam o diagnóstico laboratorial para todo caso suspeito de dengue. No serviço privado, peço os exames específicos para todos os pacientes por perceber que é importante que eles tenham um diagnóstico mais certo e para que eu possa notificar adequadamente a autoridade sanitária após. Com a pandemia do novo coronavírus, diferenciar os diagnósticos me parece mais importante, uma vez que a dengue não demanda isolamento.


Qual a diferença entre os sintomas da dengue e do novo coronavírus (Covid-19)?

Alguns sinais e sintomas são mais sugestivos de Covid-19, e outros de dengue. Existe uma sobreposição entre os achados, de forma que quadros sugestivos de uma doença ocorrem como consequência da outra. Dor atrás dos olhos, manchas no corpo, dor nas articulações e febre alta são mais sugestivos de dengue. Sintomas respiratórios (tosse, dor de garganta, congestão nasal) são mais sugestivos do coronavírus. A febre na infecção pelo novo coronavírus tende a ser mais baixa, ou não ocorrer. É essencial deixar claro que nenhum sinal ou sintoma é definitivamente diagnóstico de uma dessas doenças.


Posso ter dengue e não ter sintomas?

Não só pode, como é a regra! Acredita-se que a maioria das infecções é assintomática ou tem sintomas muito leves (como uma dor de cabeça ou uma diarreia transitória). Infecções mais sintomáticas (i.e. com febre e vários outros sintomas) são mais comuns em adultos do que em crianças infectadas.


Para que serve a prova do laço?

É um teste geralmente feito de rotina no caso suspeito de dengue por oferecer suporte ao diagnóstico e indicar tendência de hemorragia. Como exame, tem a acurácia bem pobre. É bem possível que a frequência de prova do laço positiva seja a mesma em dengue sem sinais de alarme e na dengue grave. Dessa forma, uma prova do laço negativa não exclui dengue grave e uma prova do laço positiva não é diagnóstica de dengue grave.


Posso tomar antibióticos ou anti-inflamatórios se estou com dengue?

Anti-inflamatórios (AAS, ibuprofeno, diclofenaco, etc.) são geralmente contraindicados pela possibilidade de interferirem na ação das plaquetas e predisporem a sangramentos. Usamos analgésicos simples, como dipirona ou paracetamol. Antibióticos (definitivamente) não são um tratamento para dengue. Eles não estão contraindicados, entretanto, e podem ser usados se houver uma indicação adequada para tratar outra doença concomitante (como pneumonia bacteriana ou infecção do trato urinário).


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